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![]() Dai-me asas
Não sei voar, mas o céu é infinito... O azul vai esmaecendo. Empalidecendo. E, depois, anoitece-se Mergulhar nossos sonhos no brilho solitário da lua. Dai-me asas. Deixai arremessar meu corpo ao vento, Deixei-me pousar no abismo Descobrir caminhos. Vestígios. Resquícios. Perder-me e achar-me. Achar-me e perder-me. E, entre a descoberta e a perdição Sobrevoar os limites improváveis. Do que me adianta ter chaves, saber segredos e senhas. Descobrir mistérios já desvendados? De que me adianta cochichar, sussurar, blasfemar, enfurecer-se discretamente Parecendo sutil e educada... Quero sentir a fúria dos titãs. Quero conter a anima serena num corpo ardente. Incandescente de aventura Dai-me asas Não precisam ser boas Não precisam ser novas Meus sonhos nem são inéditos. Minhas ambições todas são reprises, são redimensões, são reedições atualizadas da dinâmica contemporânea. Não quero voar de foguete. Quero asas. Preciso ter a fragilidade dos passarinhos. Quero penetrar delicadamente nas profundezas Quero deflorar a pureza dos inocentes, dos ingênuos e dos distraídos. Quero invadir lascivamente os flancos, os ossos, mas sobretudo assaltar espíritos... Saquear pensamentos. Mantimentos obscuros de alma. Sequestrar alegrias... Abandonar tristezas. Quero saquear o momento Aprisionar o flash de dentro de seus olhos E, num álbum secreto e sigiloso. Recolher recordações. Como se fossem selos. Enfim,confidenciar-lhe o que é sobrevoar o infinito, o abismo e a terra inóspita de um coração anarquista. Dai-me asas. Não quero conquistar o mundo. Só desejo apenas voar impunemente. E ter finalmente a noção de meu ínfimo tamanho neste vasto multiverso. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 22/12/2016
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