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![]() Fazer sentido
Fazer tijolo Fazer o caminho fazer laboriosamente com o cuidado milimétrico Com luvas e botas Com pinças e lâminas Quero destilar segredos Decifrar enigmas Cingidos em seu olhar oblíquo Impressos na fumaça, tatuado nas nuvens, inatingíveis e imagináveis. Fazer o rio correr Fazer o vento levar fazer a poesia ascender Como se fosse possível Como se fosse tangível Como se fosse palatável Mas fazer sentido? Ligar signo ao significado Fazer a ponte entre o real e o imaginário entre o real e o romanciado... Todos desejam o sonho. Ninguém quer estar perturbadamente presente. Mas alguém precisa estar acordado lúcido e atento. Alguém deve vigiar a estrebaria. Alguém deve vigiar os passos perdidos no labirinto nos descaminhos hipnóticos de tragédias óbvias ou comédias bizarras... Alguém deve não sofrer e apenas resistir. Alguém deve não ceder e apenas insistir. Essa a sina que flamula. Mas, fazer sentido? Para quê? Se alma já tem sentido. Se o sapato tem marca e sentido. Os ponteiros do relógio já têm sentido. E maior sentido tem a metáfora, seja na ironia fina da figura, ou na agudeza da mordaça? Fazer sentido. Fazer lirismo Construir a rima pura. A palavra exata A semântica e semiótica justas Como os anéis de Saturno. Uma mistura de gelo, poeira e rocha... Uma mistura de lucidez, poesia e força... GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 12/11/2016
Alterado em 07/08/2017 Copyright © 2016. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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