![]() |
|
![]()
epílogo lilás
o céu lilás
repleto de pequenas nuvens brancas, pálidas esparsas a revelar a tarde morrendo os pássaros em revoada procurando abrigo, água e alguma paz imersa naquele imenso lilás a flor do campo que brotou brutalmente bem em cima da pedra, num chão árido, e tórrido aonde não seria possível nem brotar pensamento no mais denso nevoeiro onde sombra e luz se confundem formam imenso túnel embaçando a visão, sentidos e confundindo os medos o choro compulsivo, o soluço e a tristeza de perder um amigo um copo de café quente forte, negro vindo do pilão dos escravos a ladainha das lavadeiras e o rio com seu cochicho a sibilar segredos de quem tanto trabalhou é hora de morrer é hora da perda de se enterrar um corpo é hora do desenlace da alma mas nada irá sufocar as lembranças, o afeto o brilho do olho do amigo que lhe estendeu a mão, que lhe sorriu que lhe confortou numa dor, num tropeço ou num desatino é hora de morrer sob esse céu lilás e os pássaros arribaram todos depois que lhe cobriram a cova as flores murcharam um pouco a pedra perdeu seu brilho e a fenda da solidão arreganhou-se mais um pouco para abrigar mais uma ausência ou mais imagem que será apenas saudade que tristeza é vê-lo partir mas que alegria é vê-lo caminhar para luz, a luz de todos os dias, de todos espíritos bons a luz que nutre de esperança o epílogo da vida.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 21/07/2007
Copyright © 2007. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


