![]() |
|
![]() Era um dia que nascia sem manhã
O orvalho havia secado sobre a flôr Deixando uma nódoa discreta Era um dia sem sol nublado e cinzento... os olhos não brilhavam, os lábios não conheciam as palavras, reinava um silêncio sólido como obelisco. Era um dia manchado por nuvens rasgadas num céu que perdeu o azul. Havia uma tristeza bêbada encostada em cada esquina... Havia uma nostalgia em contemplar a rua nova e a velha rua que só conhece a memória... E, quando ruir em esquecimento Nunca mais atravessarei aquela avenida... repleta de cheiros, emoções e signos indecifrados. Vem um tempo novo inédito, nunca vivido e nem imaginado que vem andando em trilhos. Silenciosamente. Há uma leveza tão densa que é possível cortá-la com uma navalha e, no fosso de lirismo recolher as lágrimas e o suor para regar a primavera que ainda virá... Trilhos. Caminhos marcados. Definitivos. inexoráveis. Paradas programadas e previsíveis. A expectativa de movimento. A inércia vencida. O passado proscrito nas retinas lacradas dos ventos.. Vertigem. Saudades. Despedida. Estamos o tempo todo subrepticiamente dizendo adeus, em gestos, passos e por caminhos onde de nós e de tudo sempre restou um pouco... GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 10/06/2016
Copyright © 2016. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


