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![]() A viagem de volta
Repisar os passos. Percorrer lentamente o caminho. Pertencemos ao caminho? O caminho nos pertence? Há na bagagem lembranças, saudades, mágoas e ressentimentos... Há no cofre das emoções, o inexplicável, a afeição ao que está distante e inalcançável... As linhas fugidias do horizonte a riscar a trigonometria e perspectiva azul e branca... Há o pontilhado das nuvens o que querem completar? O que será que querem dizer através do silêncio dos ventos? Decifrar isto tudo... É uma viagem. É um périplo em torno da existência. É tornear a essência como o marceneiro que molda a madeira com a delicadeza da arte. O barulho das águas correntes Dos rios que atravessam paisagem. Casas que contam sobre pessoas. Pessoas que contam sobre cidades. Rostos que contam sobre sentimentos. E na trama diária inexorável. Ler expressões Ler versos. Ler sorrisos. Ler almas na poesia discreta de olhares e do mistério intrínseco em todos os afetos. Como pode existir os indiferentes? Como pode existir a crueldade humana? Se nos olhos generosos dos animais somos recebidos numa igualdade que os humanos não ousaram chegar... Como pode existir a guerra? O flagelo? A miséria banal e diária de quem vê e finge que jamais viu... A viagem de volta. Bem que eu gostaria ter ficado. Com a quietude da cidade menor... E, também a dimensão maior de pessoas e do mundo que nos abrigam como o útero materno. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 04/04/2016
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