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![]() Não cabe nas palavras
Não cabe nos sentimentos Não cabe no corpo E nem na alma... Estou incontida. Meu infinito se esbarra no labirinto do tempo. O passado foi ontem. O futuro será amanhã. E hoje o que tememos, é o presente. Sem embalagem ou fita. Surpreendentemente cruzando as esquinas, acelerando nas estradas, pregando cruzes, lendo profecias. Não cabe na angústia que devora o peito. Que destroça a lógica. E faz dos paradoxos linguagem. Não cabe em lugar nenhum. As frestas e os desvãos estão lotados. Há segredos e mistérios profundos. Num olhar. Num vento. Num gesto e na palavra maldita: Adeus. Tenho que me despedir. Tenho que partir. Partir-me. Mas, um pedaço de mim, fica aqui. Enterrado e com raízes. Vivendo de enxurradas da chuva e lágrimas. Das lembranças printadas na retina. Do decifrar de ódios e amores. Do afeto que enlace invisivelmente. Tenho que partir. pois não caibo em lugar nenhum. Sou outsider Estranho no ninho. Estranho vizinho. Estranho em terras estrangeiras. Estragando bananeiras com questionamentos dialéticos. Não cabe nas palavras Toda a importância que fomos. A senilidade que nos abate. Os ossos que dóem só por crueldade. E o passo trêbado que não conhece o caminho. Depois, muito tempo depois. Você se descobre incontido. Misturado no éter, nos átomos e na genética improvável de alguma humanidade. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 21/03/2016
Alterado em 21/03/2016 Copyright © 2016. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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