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![]() Existe sempre uma poesia escondida em todas as coisas, em todos os seres, em todos os cantos. Existe um lirismo escorregadiço nos fonemas, nas pausas na respiração intrínseca de rimas imaginárias. Existe uma arqueologia profunda e misteriosa Escavando-se lentamente como um bailar de pêndulo a ceifar algumas esperanças, e fabricar tantas outras Existe um perfume atávico da poesia que ora nos leva para infância e ora nos leva para o túmulo. Mas da certeza da morte, também fugimos pela poesia. Pensemos que ao passarmos por aqui. Deixamos vestígios, restos e sobras Reticências incomensuráveis cujo desfecho só a magia pode obrar. Recolher a pérola, o visgo e a lama, onde nascem os lírios é entender a beleza improvável de tudo. Esse trabalho poético de formiga giganta, de tecer cestrosamente com o ardil inexorável de teia, de rede e de filtro. A coar ideias, noções e suspiros. A esmerilhar teses, hipóteses e calafrios. É o trabalho poético. Sem valor, sem reconhecimento. Sem alarde que perpassa por olhos, lágrimas e sorrisos... Mas, não escapa da alma onde crava estacas definitivas com sintomas de saudades. Existe uma poesia à sua espera. Agora mesmo. Sentada, com olhar longíquo e, que só espera você acordar para decifrar a vaidade de ser, existir e estar. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 10/09/2015
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