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agonia uivante
o vento lá fora uiva
a sua agonia profunda é tormenta de ir e vir e se perder no desalinho do tempo, lugares espaço e dimensão o vento lá fora uiva feito um lobo doente a chamar a matilha mas a matilha já não há uiva pela própria solidão que esfrega nos troncos das árvores que serpenteia sobre os areais que açoita os corpos que insistem em buscar algum lugar lá fora o vento me conta o que aqui dentro estará quieto, denso, concentrado pelas paredes internas pelos intetinos pelos excrementos e na dispersão caótica da ventania o pólen se fertiliza a vida se multiplica os insetos nascem, crescem e morrem numa cíclica mística, curta e cruel é igual o ciclo dos homens nascem, ou abortam crescem ou embrutecem e, morrem ou se eternizam por meio de ventos, uivos, canções ou solidão.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 21/06/2007
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