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![]() Não vai viver só para mim.
Não terá só olhos para minha figura. Não sentirá apenas minha presença. Sou uma entre tantas. Sou um olhar perdido no mar de disciplência. Sou uma estória num volume massudo. Perdem-se as folhas, as anotações. Aquele símbolo. A estrela de Davi. Perde-se o breviário de São Jorge Guerreiro. De lança e que certeiro, consegue matar o dragão. Quanto a mim. Nem os bumerangues voltam. Nem as lembranças no espelho da memória. Nem as gavetas guardam os segredos. Pois tudo está posto. Tudo está exposto. Tudo declaradamente descansa lívido, expresso e incondicional. Não vai viver só para mim. Nem para as minhas necessidades Para minhas cismas Não contemplará minha patologia Nem recorrerá ao meu corpo como fuga ou acaso. Sou mais uma. Apenas mais uma Mais uma voz um tanto grave. Mais uma mente que tanto borrifa ideias Mas uma boca a mastigar fonemas e deglutir semânticas. E no fim do dia... a despejar as incertezas da digestão passada. Meu silêncio não é de monastério. Nem minha palavra é sagrada. Digo coisas bonitas e horríveis com a mesma exata inclinação de quarenta e cinco graus do nível do mar, do nível dos sentimentos tontos, do nível da alma poética que lateja no canto das agonias sem número. Esse é o endereço para não se encontrar. É a âncora sem navio. É o abismo com raízes profundas no inconsciente que se perdem nos sentidos sem vetores e nos amores que sempre tive. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 23/08/2015
Alterado em 28/08/2015 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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