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![]() Meu fígado é ruim
como convém aos poetas. Fornece-me um humor peculiar. Eu que tenho corrompido a trajetória da bílis. Que tenho enrolado a língua como se fosse tapete. Que tenho hesitado, justamente na hora mais decisiva. Meus olhos míopes também são péssimos. Sem os óculos tudo parece embaçadiço Tudo se torna uma paisagem pintada por Monet que impressionava com cores e formas claudicantes. Essa anatomia provisória e atual Em nada me favorece... sinto dores... como se fosse lirismo tardio, ou arrependimento... de ter nascido... e crescido justamente em direção do reumatismo. As ruas maliciosas escavam buracos estratégicos, prontos a me fazer tropeçar e, a pular degraus com a graça de um gafanhoto bêbedo. Tenho certo constrangimento da estética de minhas mãos são longas demais e com dedos compridos... Não são bonitos e roliços... parecem gravetos gemendo em pleno outono. E quando um apontar se faz necessário. Há a incômoda sensação de estar invadindo o espaço íntimo alheio... A verdade é que sou completamente sem-jeito. Os manejos e as mesuras são por demais complicadas para pensamentos tão cartesianos e simplificados... Não presto muito atenção na combinação de cores, e, nem na superposição de grafismos Fico a matutar sobre esses enigmas absurdos impunemente inscritos em nossos corpos... e, servindo de símbolo provável por uma realidade caótica. Prefiro tons lisos e uníssonos... Monotónos porém comportados. Prefiro ser a moita do cenário algo que ninguém note... Mas, infelizmente, há algo em mim, que faz os olhares procurarem com sofreguidão uma inexatidão precisa... dispersa e contida... no meu enorme sem-jeito de ser. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 27/04/2015
Alterado em 12/03/2018 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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