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![]() Entardecer grifado
Tudo que sei. Se é que sei... pois navego num mar de intensas dúvidas. Tudo que sei... é que não posso dizer-lhe o que ocorre... Meu silêncio enigmático é semântico e doente por perseguir algum sentido. Tudo que sei É que entre uma vaga e outra... há um espectro de verdade. E para cada ouvido atento, há uma verdade conveniente prestes a ser digerida Há de ser deglutida. Interiorizada pelas frestas da alma. A alma e lama têm muito em comum... A lama é água misturada com a terra. A alma é corpo misturado com o espírito. É a essência pastosa de sentimentos, pensamentos e hormônios. Tudo que sei. Que irei partir. Estou de malas prontas. Estou com a lama da alma pronta para erigir monumentos. Podem não vê-los. Podem não tocá-los. Mas, existem. Contundentemente existem. E são tão concretos para mim. Tão absolutamente palpáveis. Que esse incômodo é a poesia que escorre de minhas mãos... espalha-se pelos olhos. E, deita-se displicentemente na linha do horizonte. E quando entardece... riscando de vermelho o dia. Grifa delicadamente o significado das ações. Dos afetos ou emoções. Tudo que sei que no mar de dúvidas e tormentos. Há um cais e um alento. A poesia salva vidas e mortes. Para a vida dá colorido e sentido. Para a morte dá história e prestígio. Até para morrer precisamos de algum conhecimento. Precisamos da eternidade medida. Em anos, meses, dias e minutos. Precisamos da estreita vantagem de saber da morte, de conviver com a morte. E no drible, ser sobrevivente. Poeticamente sobrevivo. Contemplar o fóssil. E arqueologicamente deixar vestígios... Bebendo licores da primavera. Catando as folhas caídas do outono. Congelando sentimentos no inverno. E derretendo almas no verão. E, o sol não abandona a tez alva. Fica indelevelmente rubra. Como se estivesse escrevendo na pele, um bilhete romântico composto de luz e cor. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 18/04/2015
Alterado em 18/04/2015 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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