![]() |
|
![]() Requinte
Há dias em que existem um certo tom de azul no céu... Assim como existe um misterioso dourado no sol A despontar seus raios, em forma de leque até reinar absoluto no alto de todas as cabeças... Há dias em que existe uma primavera intensa contida nas flores, no pólen e nos pássaros. E há lá fora um imenso horizonte estendido e deitado aguardando que acordemos. É paradoxal... toda essa natureza todos esses animais todo esse silêncio mágico e semântico. Então eu olho fundo para você e, me lembro das portas entreabertas, de escadas do edifício... das palavras encravadas no peito, da despedida e, por fim, num reles bilhete. Rasguei o bilhete... fiquei apenas com os fragmentos de palavras, com os riscos artísticos de sua caligrafia confusa, com o cheiro da tinta azul. E as primaveras que não aconteceram. E com o sol nascente em minha janela. E então, o cheiro de café me faz acordar... subitamente de um passado que tem o requinte de se disfarçar de presente. Pressinto tudo. E tremo inteira, é um terremoto e um maremoto simultâneos. Mas não tenho medo e nem coragem. Tenho perplexidade. Igual a criança quando vê pela primeira vez uma estrela cadente. E faz em segredo um pedido. E aguarda a felicidade das pétalas que se libertam. Dos pássaros que fogem das gaiolas. Dos cães que passam a ser vadios. E, dos gatos que seguem em cio premente. E, miam solitários em busca da parceira. Há certos dias, que o azul do céu nos seduz completamente como a nudez desejada, das coisas simples. São requintes sem vaidade. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 10/02/2015
Alterado em 12/03/2018 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


