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![]() Mostrei meu querer
ao rejeitar-lhe. Pois se me aproximasse se estivesse no seu campo de visão Não poderia escapar da teia do vínculo. Do afeto açucarado. Dos mimos. Em reparar-lhe os olhos, trejeitos e a forma de andar. Mas, se lhe rejeito. Disto ao máximo de você. Não olho em seus olhos. Não conheço sua aura. E nem tenho calma com seus erros. Não corro riscos desnecessários. Não titubeio em ignorar, em desaperceber... em procurar identidades ou diferenças. Abismos ou pontes. Enfim, nem lhe conheço. Não me lembro mais. Nem dar cor de seus olhos e cabelos. Sei que era franzina Miúda, frágil e débil. A balbuciar fonemas inexplicáveis... Que mais tarde se tornariam palavras, verbos e ganhariam significado pelo tempo e por devoção a estória. A rejeição se lhe justifico. É uma proteção para mim. Afinal limou o apego possível. Afinal traçou muros inescaláveis. Agora. Depois de tanto despertencimento. Só lembro que era um ser humano. Que efusivamente esqueci de amar e proteger. Pois o egoismo me fez proteger-me em primeiro lugar. Do contrário. Conheceria seus passos. Conheceria sua voz. E, então irremediavelmente enredada jamais conseguiria esquecer. Não posso sentir saudades. Já não posso chorar pela tristeza que não há. O deserto além da areia conhece uma solidão tórrida e uma vida sub-reptícia. A rejeição é o amor tácito. Numa defesa explícita. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 07/12/2014
Alterado em 07/12/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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