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![]() Ninguém tem tudo.
E nem conhece o tudo. Só uma parte. Apenas um fragmento, fracionado milesimamente por nossa consciência e miopia. Ninguém possui realmente tudo. Ou mesmo algo. Tudo é tão transitório e passageiro. É passadiço. Eterna mesmo é a mudança. São os ciclos a girar a evolução. E a devolução de fases e as dúvidas cruciais. A certeza é um deserto. Sem horizonte e sem oásis. Somos condenados à descrença. A desconfiança de soslaio. Essa obliquidade cigana que muda sempre de lugar... recolhe vivências, viaja, anota e prossegue. Sem bem, saber para onde. O destino é o enigma. A razão é o mistério. E as coordenadas sem perdem num mapa sem tesouro. Não nos possuímos. A nossa estória é do mundo. Escrita pelo entremear da história com a genética. Não fugimos de nosso DNA. Que impregna o mundo... São fragmentos de unhas, cabelos e saliva. Espalhamo-nos infinitamente. De fato, nos perdemos para nos encontrarmos na miscelânea do mundo. Mas são as palavras que nos torna definitivos. Palavras escritas. Palavras faladas. Marcamos ouvidos, discursos e principalmente percepções. Marcamos emoções com fonética. Não temos nada. Absolutamente nada. Apenas a percepção parcial de uma minúscula partícula de mundo. Não queremos ser o átomo. Mas somente o íon. Com o poder fatídico de atração. De coesão colérica. E, nessa imensa microscopia nosso cosmos se consome tal qual café solúvel em contato com a água. Levemente adocicado e sem graça. Somos ora o adjetivo e ora a substancia. Somos dual e antagônicos. Circunstancialmente somos geográficos, étnicos e profissionais. Insistimos em ter tudo. E, viemos ao mundo despidos. Apenas o afeto da civilização nos dá alguma decência. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 05/11/2014
Alterado em 05/11/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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