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![]() Alpendre
Estamos todos no alpendre da vida nessa varanda coberta mas aberta as intempéries. É possível sentir a fúria dos ventos, as gotículas de chuva e o chicote das mágoas... Dor e sangue que secam ao relento como um cão vadio e sem raça definida. as cicatrizes com o tempo, são referenciais. sinais gráficos, escritos pelas agruras distintos de tudo, e marcados por todos. Esculpidos em carne viva sob a aspiração de almas mortas. Repito: estamos todos no alpendre da vida. Semiprotegidos. Semicobertos E imersos numa consciência súbita. Contradições, paradoxos e culpas naufragam nesse alpendre. Não estamos dentro e nem fora. O sol lá fora projeta sombras verossímeis. As nuvens passam desenhando personagens improváveis. Os afetos como o pólen se espalham... dispersam, se perdem e acabam. Outros, resistem feito reticências líricas em pleno entardecer. Estou exausta. O alpendre não mais me contém. Minha alma não se contém na estreiteza do corpo e nem dos propósitos... Do alpendre não restará nem a poesia. Somente o agudo fino do assobio que transfixa tudo... E abandona minha surdez. Que fica parecida com a lucidez tardia. Um dia, quando não mais estiver no alpendre da vida. Serei passado. Sob a lápide de palavras caladas. Haverá ossos, cinzas ou nada. Resquícios ou vestígios. E, ainda assim, estaremos aguardando o esquecimento providencial. Fim que não é fim porque tudo continua insistentemente infinito. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 28/09/2014
Alterado em 02/11/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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