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![]() Talvez essa lua não conheça os eclipses.
Talvez esse sol não conheça as explosões. Talvez, mas há sempre o perigo iminente, mas há sempre a expectativa a nos espreitar nas curvas do tempo Há sempre um talvez. A certeza da dúvida. Da perenidade decadente. O assoreamento da razão A reflexão é uma porta que não se fecha. Não há trancas, nem trincos e nem chave. O segredo está descrito no tapete das vaidades. E, quanto a mim. Eu tropeço. Caio, levanto-me... Miro a próxima passada. Talvez se chore por uma ninharia. Talvez se agonize por uma tragédia. Há sempre uma ninharia numa tragédia. Há o vício de querer ganhar. De querer ter as rédeas da carruagem dos sonhos. Mas acordar é preciso. Despir-se é preciso. Abandonar as botas. Eclipsar-se. Retirar os panos, abrir os flancos e sucumbir. Com a mesma honra de quem é vencedor. Há um vazio nesse consumo de coisas, de dias e de afetos. Há um abismo entre os sujeitos, E uma intimidade entre os objetos Há encaixes e senhas. Há magias explícitas em viver impunemente Em pecar contra a humanidade e latir, bramar... se indignar... Revoltar-se em convulsões cíclicas. Subverter toda a ordem reinante. Os status consagrados do Olimpo. Os poderes massacrantes dos que governam e sintomaticamente estão aonde querem estar. Acima de cabeças e egos. Acima de julgamentos e versos. Acima do eclipse ou do ocaso. O poder só não conhece o talvez. A imprecisão aritmética que roda a roleta da existência. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 29/08/2014
Alterado em 02/09/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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