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![]() Choro incontido
Choro sozinha nesta sala toda branca, paredes brancas, piso branco, branca ainda é a mobília. Parece o preâmbulo da cegueira... Tudo infectado de luz extrema, aguda que nos faz retirar das vistas o contorno das coisas. Almas, espectros e devaneios flutuam misturados a dores, agonias e tristezas. É um baile esquisito. Sem máscaras. Sem fantasia. Só a crua realidade sendo cortada pelo cotidiano dos dias. Choro calada. Sem soluçar. As lágrimas percorrem minha face e molham minhas palavras. Hoje minha poesia é úmida. Chuvosa e miúda. Cai lá fora, batendo na vidraça a frustração de não entrar. De não molhar tudo. E lavar a sujeira de restos afetivos que ficaram para atrás. Choro lá fora. Há um conforto estranho em extravasar toda essa dor contida, toda essa decepção dissimulada. Escondida com ares pudicos. Recolho-me ao feudo íntimo das recordações E giro o tambor contendo balas certeiras capazes de matar o óbvio. Chora e contemplo a morte do alto de meu castelo de marfim imerso num negror profundo e sombrio. Recolho meus sapatos... Apago minhas pegadas... Meus vestígios meticulosamente malbaratadas pelo caminho. E, vou silenciosamente limpando toda e qualquer referência desse sofrimento. Ficamos indiferentes. As bofetadas, aos desenganos, ao abismo que gira em dinâmica universal. Ao sorvedouro de almas que tritura das emoções... E as reduz a prótons de sentimentos. Preciso de lente de aumento. Pois o minúsculo é semântico demais... E os monumentos erguem no espaço mensagens ultrapassadas. De glórias e heroísmo que bastardo nasce sem nome e nem sobrenome. E, pior sem mãe. Estou chorando a cada lágrima há uma inundação. Afoguei essa ânsia de viver. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 27/06/2014
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