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![]() Melancolia
Amáveis palavras queimando e virando cinzas e migrando para a memória Lembranças, lembranças e reticências comprometedoras das palavras escritas em olhares recitadas em suspiros como podemos ancorar no cais? se há a imensidão dos oceanos. se há o alumbramento. Como podemos nos perder? se não somos eternos, se somos tão somente aprendizes... se estamos buscando e buscando um gancho,um afeto e um carinho. Humanizável instantâneo. Buscamos a palavra na boca alheia. O significado próximo e tangente. Buscamos a fala do outro. O personagem do outro. O outro ser, noutro ser. Buscamos decifrar. Entender. Compreender. Dominar, deglutir e capturar. Como podemos nos achar? No emaranhado confuso dos mapas. Das pernas. Nos esquemas infalíveis de quase tudo. Descartados no segundo grau de nossas vidas. Nessa bússola onde o imã trai nossa direção. Nossos passos esbarram na reta óbvia e na pedra fundamental fincada bem no meio do rio. Passaram tantas águas. Tantos peixes... E tanto destino. Em forma de ondas concêntricas. Sorvidas pelo improvável. Amáveis gestos numa pantomima eloquente de corpos que crescem e perdem a ternura. No cerzir das emoções finais sobram fonemas, laivos e tanta melancolia. Peço-lhe misericórdia. E, me rendo finalmente com a piedade grotesca de quem não pode odiar. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 27/05/2014
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