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![]() Acorde mágico
Os acordes de violão abordam o momento de lirismo híbrido e fugaz. Lá fora mora uma inércia onde há o pólen suspenso no ar a criar uma primavera potencial. E tudo me lembra você. Os perfumes mais discretos, os ruídos banais e cotidianos. O suor, o arfar e os passos no corredor a compassar o metabolismo explosivo. Sua presença entranhou-se na sala. E trouxe um mal-estar contagioso. Novos acordes e o alumbramento. Notas musicais lascivas se esfregam nos corpos dos amantes. Lá fora o planeta inteiro dorme alheio as ameaças de mau tempo, as bombas atômicas, e, ao jogo de poder. Na serenata sem luar há muito romance diluído nos olhos. E há cegueiras absolutas concentradas nas trevas. Há um tatear instintivo. Há uma escultura lógica acessível às mãos. Medieval é a lágrima que em plena prece só faz comiserar-se diante do altar. Por causa da geografia, genética e história. Somos culpados. Sem julgamento e arrependimento. Somos apenas culpados de cultivar amores impossíveis. Abismos prováveis. Almas descartáveis. E, um dom funesto de querer ser feliz em tudo. Meus sentimentos agudos cantam a última ária. Cheios de dramaticidade Preconizam a morte teatral e a phoenix automática. Esses acordes novamente. Esse dedilhado. E a mágica se instaura imediatamente no silencio entreolhado. A mágica é a conjuntura de tempo, lugar e almas a dançar o ritual do fogo. Na cumplicidade do lago. Frio e abissal. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 20/05/2014
Alterado em 20/05/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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