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![]() Eles estavam lá
o tempo todo e, eu nem os via. O microscópio ampliou a visão e as doenças. Estávamos resignados a morrer de causas suspeitas, inverossímeis e desconhecidas honestamente. Eles estavam lá.. os vermes, os vírus, as bactérias e os fungos. Tramando a morte em silêncio. Como ratos que fogem do navio. Como ladrões na calada da noite. Estavam lá. Era inacreditáveis. Razões religiosas os explicavam. Terços e missas os espantavam. Ideologias ou rituais os corrrompiam. Mas permaneciam lá. Impreterivelmente. Inabaladamente. Ficando nas entrelinhas, na inércia pausada do calendário. Nos compromissos inadiáveis para um futuro inesperado. E, agora? Que os vejo. Que sei de sua existência essencial. Dos perigos e engodos que a vida traz. Talvez a morte seja alívio. Talvez seja apenas mordaz. Essa agonia déjà- vu. Esse olhar pedinte medigando afetos. Agora que esse olhar vê através das minúcias... corpúsculos, átomos e matérias intangíveis. Que ainda olha incrédulo. Do infinito mundo ao redor. Imperceptível mas presente. O que mais poderão ver meus olhos? Se a visão total é sempre a mesma visão parcial de tudo... Um pouco de tudo... e, ao mesmo tempo, um nada perto do todo... Ou as raízes profundamente escondidas corroídas por cupins sórdidos... a derrubar monumentos. Referências. Preferível sofrer com absoluta ignorância... do que essa lucidez ácida e sem esperanças. Sem a expectativa de ver ainda mais coisas. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 05/05/2014
Alterado em 05/05/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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