![]() |
|
![]() O exercício fonético da palavra,
a expressão da face do palato e da língua. A construção frasal. A malemolência de vírgulas e reticências. Danças semânticas e semióticas. O marchar fascista da sintaxe. A estatística do parágrafo. Pensamento escrito e vomitado. O encontro da alma humana com a perfeição e com a falha. O erro pedagógico que gera o hábito de aprender. Aprender a aprender. Ensinar, aprender e ensinar novamente. Conhecimento como líquido fluído. Inconstante e multiforme Tal como mercúrio que é duro e líquido simultaneamente. Vencer a barreira do som. Vencer a surdez Vencer a invisibilidade confortável de não ver misérias pungentes. de ver sobreviventes em guerrilhas escamoteadas. O tiro preciso do fuzil mais hi-tech não mata a miséria. Não elimina os abismos instantâneos da escada da favela. O dialeto sofrido de sílabas carcomidas. Palavras erradas. De olhos doloridos De quem não enxerga, não come e nem pertence a paisagem... É cisco. É jaça. É a pedra do meio do caminho, mas sem poeta. Sem métrica existencial da dignidade. São olhos que mostram almas à procura de alguma humanidade possível que lhe salvem do sorvedouro do esquecimento, da indiferença. Da sentença condenatória do preconceito. Buscam a redenção e só conseguem esmola. Pedem quando deveriam exigir. Exigem quando já é tarde demais. O corpo se foi. Embalado em caixão. Sem prosa e nem atavios. Morrer com um número apagado no quadro verde do fundo da sala de aula. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 26/04/2014
Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


