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saudade enorme
saudade grande
estufa o peito sem oxigênio a guardar lembranças, flores dentro de livros, fitas dentro de bolsas, um pequeno guizo do gato que já morreu saudade grande gigante malvado, a pisar por dentro forte e compassadamente e a cada passo seu, uma ruína se abre na memória o cheiro das frutas da infância, o primeiro dia de chuva engraçado e, não triste a primeira professora, a carteira onde desajeitadamente sentei-me e, com ânsia fincava minhas esperanças naquele lápis negro. saudade grande dos amigos que partiram sem dizer adeus, da família que deveria ter, mas nem tenho das flores que recebi em bouquets e, não nas primaveras da vida saudade grande alucinante, entorpecente a tirar-me do foco presente, a tropeçar em reminiscências contidas no debrun de uma jaqueta velha, um botão perdido, um anel partido, um sapato furado. Um meia mesclada e manchada que esconde hoje , a beleza que havia. saudade de teus olhos azuis da tua fisionomia de mármore carrara de tua inflexão cerimoniosa em dizer bom dia e depois de partir nem às mãos concedeste o direito a um breve aceno esquecido foi o lenço de bordado inglês com sua inicial bordada e a lembrança borrada da sua rejeição saudade grande meu corpo entorpece minha mão trêmula aperta o vestígio do passado e num toque mágico me liberta da culpa de desejar o impossível voltar ao tempo ido, e não lhe perder voltar o tempo e não sucumbir ao abismo voltar ao tempo feliz das primaveras e outonos onde o barulho das folhas secas só nos lembrava as frutas maduras à espera de serem colhidas. voltar ao tempo para me resgatar da saudade que me engole.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 07/05/2007
Alterado em 19/02/2009 Copyright © 2007. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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