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Doença
Eu não posso ser o outro
o outro não pode ser eu nesse colóquio simples e paradoxal Aqui não me serve a prescrição não serve para colocar os problemas sobre a fronte Não serve para especular conhecer a mim mesmo pelos meus pensamentos pelos meus fragmentos e mais profundamento pela dor pela lancinaste mágoa de ser o que não se escolheu ser inexoravelmente algo ditado pela trama genética, pelo drama vivencial histórico por reflexos condicionados por hábitos, manias e alguma educação. Ser selvagem civilizadamente. Ou ser civilizadamente selvagem. Sei que há milhões de significados nesse olhar, nesses braços cruzados e reclusos na negação de se entregar. Mas não posso refutar o que sou pela nossa ética angustiada a existência é dor a nossa essência é isso que lateja que grita num silêncio majestoso que gane sem nenhum retorno a dor do mundo a dor de existir do que há, do que não há. Há mais na nossa essência produzido por ausências do que pelas presenças que tivemos. Há mais vácuos enigmáticos que a semântica cartesiana das frases inteiras, de parágrafos concatenados. Livros inteiros. Sem estória alguma. Vivemos a inequação inexata instituída entre eu e o outro. Existir é uma doença que finda com a morte. E, o renascimento traz de volta a tortura de pensar, pensar e pensar e nada concluir.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 28/03/2014
Alterado em 28/03/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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