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![]() Claudicante
Quanta escuridão. Quanta desilusão. A tristeza de se morrer assim. Inexplicavelmente. Vítima óbvia do descaso e do capitalismo, da política assistencialista. O pecado de Cláudia foi ser manca na vida. Claudicou ao dobrar aquela esquina. Trazia um copo de café preto ainda quentinho... E então fora alvejada. Tiraram sua vida. Com a precisão cruel de dois tiros. Atravessaram-lhe a vida e subtrairam a dignidade de seu cadáver. Ficaram oito filhos. Ficou o marido. Ficaram os olhos incrédulos diante da tragédia cotidiana. Ficou na mídia. Todos ficaram órfãos A vizinhança que gritava explicações em seu português empobrecido mas urgente... Ninguém a ouviu. Quem ouvirá esses ecos? Quem acenderão as velas? Quem socorrerá esses peões derrubados no tabuleiro da mísera explícita. Nesse jogo de reis onde os peões são descartáveis. E, a nobreza se farda de vergonha. Quantas Cláudias ainda precisam existir? Quantos Amarildos? Quantos desaparecimentos e mortes nas estatísticas solenes ainda aparecerão e se multiplicarão até que alguém se comova para além das lágrimas. Quais eram seus sonhos, Cláudia? Todos foram interrompidos. Evaporaram-se e habitam agora as nuvens Que castradas fogem até agora de toda essa brutalidade. Dissiparam-se humilhadas por estarem simplesmente sobre cabeças humanas. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 20/03/2014
Alterado em 20/03/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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