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![]() Excrescência
Afetos amputados do peito. Sentimentos absurdos e absortos. Cortam a garganta. Limam as palavras. Paralisam a face. E injetam o olhar. Rasgam as entranhas e de lá retiram a essência abandonando a excrescência do ser. Afetos desconhecidos. Ignorados. Repudiados. Ódios clandestinos acondicionados em bagagem de mão. Explodem secretamente no compartimento abstrato da alma. Espalham-se. Contaminam de ressentimento tudo. Literalmente tudo. Toma a respiração, o toque, o andar e até o tossir. Há uma emoção tóxica Que sufoca mas não mata. Que agride mas não faz sangrar. Que grita sem articular nenhum som. São os olhos que denunciam a presença. São os suores das mãos que anunciam o medo. As pernas tremem. A memória fenece. A morte já tida como certa, simplesmente não comparece. A sepultura de alguns é jazer na mera existência. Acumular-se nas cinzas. Que são cadáveres disfarçados ou vestígios de vidas ou mortes biografadas pelo fogo. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 07/03/2014
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