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![]() Mais um dia.
Mais um sol. O brilho incessante a espelhar nas águas imagens distorcidas, sentimentos triturados, palavras secas a infundar num mar de hesitações. Mais um dia. Entardece sangrando-se aos poucos. A hemorragia tímida de vermelhos fugidios. Não se sabe se este é o derradeiro dia. Se amanhã ainda haverá o alvorecer... a tingir de cor lentamente a cidade, o mar e as pedras. Há muita poesia nas pedras... Há tanto lirismo na conversa entre as pedras e o mar. Há tanto poema escrito na linha do pôr do sol. Derramando-se sobre nós. Derramando-se em nós e seguindo... Nos céus, no chão, nos caminhos ainda não trilhados... não conhecidos. Quanto a nós, só resta esse dia final. A morte de um dia inteiro, diante de nossas retinas entediadas... cheias de lágrimas não vertidas... Esse velório tácito do tempo. Não vou chorar. Não vou dramatizar. A dor da saudade não excluirá a beleza do amor. Principalmente do amor impossível. Do vértice que ampara o infinito de nós enterrado em nossos corações. Não se há tragédia. Se há romance. Se afinal, a ironia que perpassa agora galopante sobre o vento que sopra tanta saudade num ritmo especial típico de um dia final. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 01/03/2014
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