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![]() Miscelânea de silêncios.
Há um silêncio nos sepulcros Um misterioso silêncio das portas fechadas Dos punhos cerrados Dos algozes que saciam prazer com a dor alheia. Há um silêncio inexplicável na culpa dos réus dos olhos cabisbaixos entrevados de chão e encharcadiços de sangue. Há um silêncio no folhear dos livros. Por entre as palavras, as senhas secretas, na ilação ilógica de abrir para novamente fechar. Há silêncio dentro da catedral. Por entre os candelabros sagrados. No queimar lento das velas, derretando o tempo, e marcando de fumaça as orações e preces. Há um silêncio perfeito nas súplicas, nos joelhos dobrados ao chão. Esfregando a humanidade na terra. Como se a enraizasse... para uma primavera fria e repleta de flores de enfeite para caixões... Há um silêncio inato nos cemitérios. Das informações inscritas, nas fotografias, nomes, sobrenomes e até apelidos. Diante da morte, o silêncio é nada. E é tudo. Passa indelével. Como um discurso telepático. Repleto de flashes, signos e mímica. O silêncio é apoplexia. Corrói a razão. A dialética. Diante do silêncio, as contradições brincam de ciranda no tempo... ou na dança das cadeiras. Onde a música não para. E, o silêncio não para também. Está em tudo e é infinito. Em toda a poesia há mais silêncio que lirismo. Há uma síncope compassada pela inércia e misantropia. No silêncio. Negamos todas as coisas. Até a nós mesmos. Só existimos, se rompermos o silêncio. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 25/02/2014
Alterado em 25/02/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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