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mil retas
a reta intercepta a outra reta
dando fim ao infinito das duas e, na intersecção com outra reta lhe confessa os segredos do côncavo e o convexo lhe confessa ainda tonta o prazer de lhe cortar de lhe fazer sangria e de lhe livrar da reticência maldita da imprecisão, da vastidão do espaço insólito uma reta não é caminho, é atalho uma reta não é causa é apenas começo que se esgueira à beira de abismos geométricos do cone piramidal, do trapézio irregular onde não há malabarismo há um profundo silêncio matemático contido dentro dos polígonos fechados e no peso do papel não há gramas há somente poesias ausentes disfraçadas de branco sob o mimetismo de olhos, bocas, mãos e vidas vidas traçadas em reta que seguem em direção ao lirismo mais uma encruzilhada antecipa o encontro de duas retas antecipa o fim do infinito antecipa a alma ao corpo. alma espetada por mil retas.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 29/04/2007
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