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![]() A chuva molha minha face.
Molha minhas lágrimas já úmidas Molha a roupa, o corpo e a imaginação. A chuva rega a esperança que ousa nascer inesperadamente. Dúzias de gotas encharcam lentamente tudo... até pensamento árido do deserto até as sombras de uma noite infinda. até as pedras inertes ao tempo. até as feridas que não querem cicatrizar. A chuva escorre na vidraça fazendo desenhos lânguidos, fazendo curvas hídricas transformando o sólido em líquido E, o calor transformando o líquido em vapor... Numa mágica quase tão sacra trazendo o cheiro da terra molhada, a promessa de fertilidade, trazendo a primavera híbrida. Florescendo entre as gotas com cores difusas e formas mutantes. Na chuva, os insetos são parcos Recolhem-se nas alcovas Os segredos se trancam em gavetas E as serenatas emudecem. Há toda uma chuva lá fora. E um deserto aqui dentro trancando a solidão no claustro travando os ímpetos, encapsulando a poesia dentro de gotas como as do orvalho ou da chuva. Chuva abundante Redundância no planeta azul. Azul cinaótico Repleto de ausências. Pelo menos a chuva lá fora me fez chorar menos. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 11/12/2013
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