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![]() Se amasse você
Se mergulhasse nesse mistério Contido em seu olhar Criptografado por sua alma Se amasse você Se pulasse no abismo De olhos fechados Mas de espírito aberto. Com braços hábeis para dar afeto. Para lhe afagar a cabeça Se amasse você Pudesse dar-lhe a vida, O que há de melhor da vida, O que há de melhor no mundo... Mas, se dar a você tanto e tudo, fosse ruim e decepcionante? Se as palavras amáveis fossem scripts já anteriormente Recitados nos momentos cruciais. Se eu pudesse responder todas as suas perguntas sanear todos os erros, aplacar todas as dores feito um anestésio telepático e instantâneo... Se eu pudesse amar você Desejar-lhe tão imensamente temporalmente, e geograficamente De forma vil e disponível. De forma digna e singular. De forma única ou banal. Se eu pudesse completar suas frases. Preencher suas lacunas. Aliviar seu carma. Reescrever sua estória. E apagar seus tropeços e borrões Que maculam as páginas da existência. Utilizar a borracha mágica do esquecimento. Para não precisar de perdão. Se eu pudesse amar você. Amarrar você no cais imaginário da paixão E submeter-lhe a uma tempestade de afeto e carinho Até que toda sua carência simplesmente desaparecesse... E, se diante desse amor tão perfeito demasiadamente perfeito e humano. Eu então pecasse mortalmente Ao descobrir que tanto amor que eu tinha se foi. Esvaziou-se. Derreteu. Desintegrou-se. Subitamente Foi sorvido pelo ralo da tristeza e da melancolia. Se eu amasse você Talvez não lhe informar toda a verdade Não lhe exigisse nada Não lhe perguntasse tanto. Não lhe controlasse. Ignorava-lhe solenemente sob olhar compassivo e benévolo. Dar-lhe-ia um sorriso em conta-gotas. E não minhas lágrimas geométricas A perfurar a loucura da indiferença. Um fastio pastoso de desamor tristeza. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 15/10/2013
Alterado em 12/03/2018 Copyright © 2013. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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