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Pedido Secreto
Esse mar imenso de ressaca
Diante da minha janela a chorar Murmurando segredos que não quis contar Esse abismo profundo De trevas e luz intensa Traz a cegueira e o encontro Entre o ser e o pensar Essa dose de gim Pura e seca A queimar a garganta A desinfetar minha poesia Dessa tristeza indolente Dessa melancolia lírica E fugaz. Essa cor sangrando ao entardecer Despedindo-se do sol Depois de tantas batalhas travadas Das dores esculpidas na alma Da mão que empunha a espada Mas é capaz de um afago. Isso é tanto. Isso é tudo. E, ao mesmo tempo, é nada. Não temos tempo. Não temos agenda. Não temos certezas. Nas angústias é que nos atordoamos lembrando da vida que continua reticente e vaga. Através desse mar imenso Meu pequeno coração tonteia. Através do abismo abissal Encontramos a iluminação. A presença da esfinge que devora. E num golpe ébrio A sobriedade nos expulsa da possibilidade de ser feliz, do sonho que cai em crua realidade. Joguei uma moeda na fonte. Fiz um pedido secreto. Escrevi na parede do gueto A última palavra que me ocorreu adeus meu amor do passado. Adeus.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 24/06/2013
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