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Feitiço
No mar de teus olhos Vi naufrágios. Vi agonias líquidas escorrendo por sua face cristalizada. Não eram lágrimas Era rendição. No mar de teus olhos Vi ondas sentimentais lamberem a areia À procura de tortura e lucidez Mas eu queria sonhar. Apenas sonhar. Sonhar em devaneios múltiplos Ter mil corpos e visitar muitos umbrais. E, em cada espírito colher a flor mais cálida. E em cada recanto recolher o flash mais nítido Ter no outono a sinceridade das folhas mortas. Ter no inverno a sobriedade das frias tardes. Ter no verão a eloquência dos hormônios Inexatos e exaustos. Ter na primavera o súbito odor das flores desabrochando secretamente para o orvalho. E ver borboletas flanando em cores e pólens A maldosamente multiplicar a vida e forma Numa lógica casuística e caótica. No mar de teus olhos Eu me via. Reticente e sem me entender o paradoxo óbvio daquele dia. No espelho de tua alma. Eu me via por teus olhos Vestia a tua poesia Feito luva e armadura. Vestia a tua existência. E como cenário eu me perdia Perdia minha humanidade. Só me restava então... Ser o objeto de amor. Mirado, flechado e extasiado Por simples mas absoluta presença.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 04/06/2013
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