![]() |
|
![]()
Redoma
Redoma
Em meu sonho azul, o céu era um vasto véu Com as estrelas bordadas entre vidrilhos e insetos O enxame sussurrava a senha secreta para voar e ver toda a abóboda celeste. Ver o todo apesar de ser apenas parte. Todas as luzes ao redor eram parte da enorme redoma Complexa e emaranhada. Difusa e confusa. Em meus versos cianóticos O oxigênio arfava por pulmões Rogava por respiração compassada Enquanto os pulmões exaustos repousavam apenas. Ao final do túnel. A velocidade das cenas vividas era intensa um corisco, um cometa e a um exato milímetro após o abismo. Ou seria o salto ao infinito? Onde começava minha vida e aonde terminaria? No plano do todo... Tudo é conectado, contínuo e correlacionado. A poeira é cósmica A guerra é o tsunami E o meu universo envolto De mil galáxias Carregava todo o significado. Texto, contexto e pretexto. Criaturas vivas e mortas numa sequência ilógica e assimétrica Deixavam vestígios na prateleira dourada do sol. Ou pegadas de lua na noite negra. A diferença entre a vida e morte Reside na ruptura. Reside no silêncio semântico. Nas palavras que calam. Reside no ninho de passarinho. Com ovos quebrados E uma raposa rondando. A selva é redoma do céu. O céu é redoma da magia. O ego é redoma do inconsciente. A mensagem dentro envelope. A vida dentro da selva. A magia dentro do mito. O inconsciente contido em mil redomas. E o todo solitário persiste a emendar estórias ao acaso. A costurar textos e personagens fragmentados em órbita constante.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 03/06/2013
Copyright © 2013. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


