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Fingir
Fingir é necessário.
Viver não é. Fingir é educado. Sentir não é. Fingir é imposição social. Um sorriso amarelecido. Uma palavra pseudogentil. E modos oitocentistas como na decadente corte lusitana. Fingir é como o avesso do poema. Escamoteamento de princípios e valores. É um hide in object... Traduzindo: esconder-se no objeto... Fingir é deixar de ser sujeito Para apenas sujeitar-se a uma aceitação dolente... Fingir é sem dúvida uma arte humana Mas quase uma especialidade feminina. A brutalidade e animalidade masculina sempre foram bem aceitas... Mas em mulher... cheira mal... é interpretado como oligofrenia Ou qualquer patologia psiquiátrica Incurável e intolerável. Fingir é necessário. Quando eu morrer, eu simplesmente vou fingir de desaparecer... Mas vou fingir tão completamente que acreditarei tardiamente em minha finitude Na minha última barreira do tempo não vencida... Não tenho tempo hábil para fingir. Então sou verdadeira, por absoluta falta de escolha. A verdade me cai feito um tijolo. Não adianta não acreditar nela. Pois ela não finge... ela não se importa. E, sobrevive a todos os fingimentos.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 19/01/2013
Alterado em 20/01/2013 Copyright © 2013. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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