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Distribuição
Às vezes falo muito. Às vezes me visto de silêncio denso. Nuvens afoitas descrevem o tempo lá fora. Mas aqui dentro, Tudo é neblina. Tudo é mistério. O ruído incompreensível é uma senha. O ranger dos dentes revela o fonema mágico. E a palavra surge como fato. Às vezes falo muito. Reporto-me aos mesmos fatos, às provas científicas, estatísticas loucas que apontam para certeza alguma. E as dúvidas migram para as reticências. Como um ballet delicadamente russo. O verniz da imagem arranha a garganta Já inflamada de tantas vozes e ecos. Ou seriam sussurros que viraram gritos? Quem decifra o que falo? nas frases montadas ao acaso da memória? Pois tudo que me lembro É que às vezes falo muito. Distribuo verbo aos vértices do mundo. Só as palavras suportam caladas toda estupidez do mundo.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 20/11/2012
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