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Fósforo
Na palavra-enigma
A desafiar a esfinge Num revés de Édipo Eu lhe pergunto: o que você vê no mundo? E se numa cegueira branca e poética Você só ver uma sucessão de sombras, Uma sinfonia de sussurros Ou uma metáfora da metáfora Que metaforicamente se esconde numa mentira escrachada… Na palavra-enigma As sílabas são mágicas E somam fonemas capazes de modificar tudo… Parar o tempo Estancar as sangrias Cessar as guerras E até indicar a morte. E se a morte não significa o fim? Na palavra-enigma Somos iguais apesar de diferentes Somos coloridos e pardos Mas na pemumbra é a luz Que nos descobre É a aurora do dia que nos Faz nascer no horizonte Ao acordar E com os sonhos embaralhados Ainda acreditar na sorte e na realidade Talvez acordados estejamos ainda sonhando. Na palavra-enigma Os coringas se despedem de sua fungibilidade Sua utilidade e poder de bobo da corte A rir e fazer rir A chorar e lograr o engano no póximo filisteu Na palavra-enigma Destruo castelos inteiros, Corrroemos memórias Deciframos silêncios e mentes Deciframos intenções e gestos. E, apesar de ter entrado sem convite Estamos a esperado barqueiro Com as moedas na mão… Para taparmos os olhos… Somos pedintes diante da palavra Somos miseráveis diante dos sentidos Somos humanos Diante dos deuses ou Nosssas limitações… Diante dos enigmas Na palavra-enigma a descoberta fatal da palavra: De onde ela vem? Para onde ela vai? Quem a diz… ou decreta? Não importa. Nem se a ouvimos Principalmente se em sua semântica Irá perfurar nossa carne, ceifar nossa vida Num gesto bruto e inesperado E arquitetado pelo acaso E por acaso. O enigma se dissolve Num olhar aceso por um mero fósforo da razão.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 05/08/2012
Alterado em 09/08/2012 Copyright © 2012. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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