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Pertencimento
Não sou sua
Sou do meu tempo, Sou dos meus pensamentos fluídos e contraditórios Sou da minha genética a tramar estórias escabrosas sobre minha existência E, a demonstrar que a resistência é inútil... Não sou sua. Não sou adjeta e nem objeto. Sou sujeito das ações, das omissões dos crimes, pecados e paixões ... Mas sou sujeito da alma de corpo solene E do corpo de alma solerte Não há congruência possível em ser e estar Por vezes sou e, não estou E, tantas outras vezes, estou e nem sou Há num mar infindo de reticências Expressões, sentidos e saudades Inconfessáveis... Como da varanda da casa de minha avó, Das árvores frutíferas do quintal, Do doce no final da tarde E, das noites estreladas Bordando o azul escuro de brilho e imaginação Regado de mistério e silêncio. Há, ainda, lá fora ... confidências discretas feitas pelas folhas ao passar do vento O farfalhar as folhas ainda vivas dependuradas ao vento. Há o confessar o alpendre Ajoelhado discretamente diante da estrada Suspenso e submerso no inconsciente A resgatar resquícios de humanidade Liberto dos feudos e da posse. Não sou sua O pertencimento está perdido na trama da história, na arquitetura da genética E no lirismo do acaso... Justificado mil vezes pelas razões religiosas que aprendi.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 26/09/2010
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