![]() |
|
![]()
cinzas poéticas
As cinzas poéticas de seu corpo
Espalhadas no ar Impregnavam de lirismo esse oxigênio bastardo Que insiste deixar a miséria prosperar Seu ceticismo arguto e cruel Nos fazia ver através da própria cegueira Na cegueira alva e refém de alguma razão para duvidar As cinzas poéticas de seu corpo Revelam a iniqüidade da existência humana Transmutavam delírios estéticos em ínfimas parcelas do ser Disperso pela força do fogo, Pela força das moléculas divorciadas da vida Herdamos a eternidade da tua palavra, Da descrição insólita e contrita De alma, passagens e descaminhos. Adeus, Saramago. Viverás eternamente nos livros, Em cada palavra onde delicadamente esculpiu sua alma e, essa meu caro, Será imortal como fogo Que reduz em cinzas Apenas o palpável, Mas jamais a força do poeta. Jamais a mágica da leitura.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 20/06/2010
Copyright © 2010. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


