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poesia morta
hoje eu só
vejo poesias mortas, reticências espalhadas no chão trovas nuncas cantadas e assobiadas nos canteiros de obras aonde não existe flor. hoje só me servem as poesias mortas pois as vivas ainda me doem por dentro latejam indesculpavelmente latejam e martelam a culpa de abandoná-las em evasão como evaporao perfume como a sublimação do gelo como mágica diária do desaparecimento só as poesis mortas ressucitam o que resta da vida, nas veredas das esquinas, no canto dos olhos das meninas, no flash amarelado da fotografia, na voz rouca e macia que ecoa no vento e nos chama para amar.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 13/08/2008
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