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trégua
dá-me trégua
pois não posso mais brigar dá-me trégua minhas crenças são doenças a se espalhar por todo por meu corpo, por toda minha alma a infectar o silêncio, as palavras e os gestos. dá-me trégua, meus olhos pedintes são contas secretas de um colar rompido. dá-me trégua hoje não posso falar, não posso matar minha sede, não posso ver o sol e receber essa luz por viver assim em absoluta treva. dá-me trégua, esqueça-me em algum canto da casa, em alguma aresta aberta. em flanco de guerra. Deixe-me dormir nas trincheiras Deixe-me guilhotinar os dépostas e os loucos. E, quando cerrar a janela, terá cessado o estorvo de estar vivo e estar aqui. Dá-me trégua só tenho pulsos cortados, sangue roto e, o rosto molhado de lágrimas.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 05/07/2008
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