![]() |
|
![]()
somente talvez
Talvez eu nunca seja a princesa
Que sonhe com o encantamento de príncipe Talvez eu nunca seja a dama vestida de espartilho e com doçura dos olhos E gestos Talvez eu nunca tenha talento para sobreviver à eterna finitude da vida. Talvez essa porta se abra E, se abram também os caminhos, as estradas. E, o sol ilumine meu caminho Com uma tocha erguida por braços embrutecidos pela estória ou pela estiva. Talvez amanhã quando surgir no horizonte a nesga de luz a perfurar as nuvens, a irradiar calor e cores me traga a certeza do paradoxo. Da dubiedade secreta dos olhares, da inclinação visceral dos suicidas, da agressividade das ogivas emocionais, Talvez perceba afinal, a dinâmica do afeto. Mas eu, o quero estático, o quero esculpido, em cristal líquido. Dissolvido por lágrimas invisíveis. Talvez nas certezas diárias compostas de mutações genéticas e metabólicas, Talvez, eu descubra a essência imutável, a tabula rasa, o cenário fundamental que infecta as retinas, os gestos e os estilos delineados na arquitetura dos templos, dos cemitérios, das escolas e, da civilização. Talvez tudo não passe de hipótese. O poema é hipótese. O dilema é hipótese. Mas o amor é tese. A solidão é síntese. A loucura é sintese. Nos veremos, novamente na dialética do amanhã. Na metafísica do horizonte. No paradigma humano de existir. Talvez, e somente talvez.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 25/06/2008
Copyright © 2008. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


