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ânfora partida
Essa ânfora deitada
De barro fosco Antiga e seca Das águas que se foram Essa ânfora de asas abertas Querendo voar Em líquido céu Essa relíquia Que guardou segredos Molhou bocas E palavras em degredo Velou em silêncio Colocada no canto superior da sala por todo ambiente. Posto-me diante Da ânfora E me despeço Meus olhos irão embora Minha sede interminável Inexplicavelmente Terminou Como terminou o caminho a seguir agora senhora me arrependo da menina e da moça que fui das caçoadas, das bonecas quebradas dos cavalos que galopei. Lá fora, aguarda-me o vento Incontida brisa Que veio de lugar nenhum e Vai para qualquer lugar Há uma angústia expectante Um silêncio que mora entre as palavras E se esconde nos fonemas Abafados de sua voz. É tarde agora, E permaneço deitada E, vem na memória Aquela ânfora Lembro ainda de sua rachadura De sua base trabalhada e talhada Por mãos artesãs Tento ouvir aqui Quieta meu coração Que se derrama em meus Pesamentos Que oscilam qual um pêndulo A compassar o infinito Momento de não mais voltar.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 03/06/2008
Alterado em 25/06/2008 Copyright © 2008. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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