professora Gisele Leite
Diálogos jurídicos & poéticos
CapaCapa Meu DiárioMeu Diário Textos ÁudiosÁudios E-booksE-books FotosFotos PerfilPerfil Livros à VendaLivros à Venda PrêmiosPrêmios Livro de VisitasLivro de Visitas ContatoContato LinksLinks
"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).


Eu me apaixonei por sua aparência blasè e um certo ar filosófico e enigmático. No fundo, parecia que você ironizava todas as pessoas a sua volta, inclusive a mim mesma. Egocêntrico, vaidoso e, indefectivelmente charmoso. Você diante de debates ásperos, ousava recitar Fernando Pessoa, e por vezes, até Luís de Camões.  
E, então, Inês era morta! A pobre Inês de Castro que era nobre galega e rainha póstuma de  Portugal, e amada pelo futuro rei Dom Pedro I, de quem teve quatro filhos. Mas, fora executado por ordem, do rei Dom Afonso IV. Enfim, mais um caso de amor impossível. A diferença que Inês existiu realmente, e viveu afetos com D. Pedro em pleno século XIV.
O príncipe era casado com Constança que por sua vez, era  princesa de Castela, através de um acordo político bem frugal naquela época. Porém, Inês era somente a dama de companhia de Constança e travou um secreto romance com o príncipe por muitos anos, tanto que chegaram a ter quatro filhos.
Sabemos que o adultério é uma longeva prática entre nobres e reis e rainhas. É certo também conforme atestam notórios historiadores que o dito romance jamais contou com o aval de Dom Afonso IV, o rei, e muito menos, do clero que eram os fiadores da avença firmada entre Castela e Portugal. Mas, logo após ao óbito de Constança, a dita relação tornou-se mais íntiam e visível, e a nobreza passou a temer que um dos filhos de Inês viesse a reivindicar o trono.
Sob o temor de um bastardo vir a se tornar rei de Portugal, em 1355, no auge da tensão entre os envolvidos, D. Afonso IV aproveitou-se da ausência de D. Pedro I que saira para caçar, e então ordenou a morte de Inês. Cortaram-lhe a garganta e, finalmente, ceifaram-lhe a vida. Quando regressara da caçada, já em direção à cidade do Porto, D. Pedro I ao saber da execução de Inês de Castro, o príncipe pretendia até enfrentar o pai, mas fora demovido por sua mãe, D. Beatriz e, também por seu primo, o Bispo de Braga.
Então,no auge da resignação teria dito a famosa frase: Agora, Inês é morta. E, finalmente, quando o príncipe tornara-se rei, mandou prender os executores de Inês. Pacheco escapou para a França, porém, Coelho e Gonçalves foram capturados em Castela e, depois, torturados na presença do rei. Conta-se que ambos tiveram o coração arrancado a machadadas.
No entanto, o desfecho mais macabro, foi quando o rei alegando que havia às escondidas casado com Inês, fez com que esta fosse coroada rainha. Então, seu corpo fora desenterrado e colocado no trono.
E, durante pomposa cerimônia, D. Pedro teria ordenado que toda nobreza portuguesa e também membros do clero ajoelhassem diante do cadáver e, ainda, beijassem os ossos da mão de Inês.  Era a rainha-cadáver.
Minha paixão por você, era como se fosse por um cadáver. Pois jamais poderia tê-lo de novo, porque as razões eram mais fortes que as emoções. E as emoções também fenecem. Por vezes, cortam-lhe a garganta, e não ganham palavras e, por vezes, arrancam o coração, e então, não alcançam sentido.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 14/08/2019
Alterado em 15/08/2019
Copyright © 2019. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários