"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).
Textos


Magnética

O céu azul
limpo sem nuvens
O mar azul
não tão limpo
de parcos peixes
E, uma solidão azul
presa ao azulejo.

Todas as figuras pintadas
no azul-rei
serviam-se de saudades
comestíveis.

Aquela fruta.
Aquela flor.
E a brisa a declamar
a primavera em prosa.


Aquela rua.
Aquele calor
a percorrer o corpo
em pleno inverno,
tal como a poesia.

Magnética criatura.
A imantar deus, céus e mares.
A contaminar olhos, áureas e egos.

Uma avalanche de poder
a lhe edificar,
esculpir,
a mão que decide,
a palavra que nomina
e, o gesto que absolve.

Tem corpo era azul
feito o céu.
Seus olhos traziam tempestades.
Confusões.
Medos e carências.

Atropelavas o silêncio
com a gagueira explícita.
Abalroava o sólido
com o etéreo espírito
a impregnar a todos e a tudo.

Havia uma epidemia
de você no arredor.

E, de repente,
vc era o azul do céu.
Mas, não era o céu.
Vc era o azul do mar,
com poucos peixes.
E, era a primavera
contida no cachepot

Suas vestes,
embrulhavam o cenário.
E fazia das poesias
pobres atavios
a lhe ornar discretamente.


Quando anoiteceu.
O negro do tempo
trazia pequenos brilhos
de estrelas distantes.
E, ainda de estrelas cadentes.
Coriscos desenham planos
onde o alvo era o acaso.

E, logo depois quando a noite
foi descansar.
Veio a manhã.
De brilho em forma de fogo.
No horizonte fendido
entre meu desejo e meu olhar.


 
Gisele Leite
Enviado por Gisele Leite em 09/12/2017

Música: clássica - eduardo lages

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