"O conhecimento é o mais potente dos afetos: somente ele é capaz de induzir o ser humano a modificar sua realidade." Friedrich Nietzsche (1844?1900).
Textos


Onde foi que falhamos?
No útero, antes mesmo de nascer?
Na alma ou na tabula rasa
naufragada em lirismo barato.

Onde foi que falhamos?
Em que momento o abismo me engoliu?
E o torvelinho fazia girar meus desejos.
Moia e remoia meus lampejos
Capazes de me acorrentar a você,
Ao sentido.
A velocidade.

Onde foi que falhamos?
Na palma mão que escreveu o gesto?
Na palavra malsã expelida
no momento de ódio.

Catases poéticas
sangrentas e infeccionadas.

Delírios tivemos.
Tropeços em ballet.
Gaguejos em forma de árias.

Tudo era teatral.
Espetáculo.
Complexo e indumentado.
De contemporaneidade fictícia.
Somos antigos.
Somos primitivos.
Somos medievais.

Onde foi que falhamos?
Persigo a ideia de que posso
consertar o tempo, o espaço
e ter finalmente algum alento
No túnel que me apresenta a luz...
E cega, pressinto a clareza.

Errei.
Engasguei.
Tropecei.

Depois sentada sobre a própria consciência
Embriaguei-me da realidade.
Sorvi as cores.
Os odores e  sons.
Numa orquestração perfeita.
Harmônica.
Refiz a sinfonia do destino.


 
Gisele Leite
Enviado por Gisele Leite em 12/04/2017

Música: Daphnis et Chloé, ballet for o - Desconhecido

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